Parque de Intervales tem 325 espécies endêmicas da Mata Atlântica
O Parque Estadual de Intervales (PEI) foi criado em junho de 1995 e ocupa uma área de 41.704 hectares. Essa região do Alto do Paranapanema e do Vale do Ribeira, em tempos remotos, ganhou fama pelo ouro de aluvião que brotava de seus cursos d"água e ainda hoje, no entorno e no interior do parque, encontram-se resquícios dos encanados, estruturas de pedras construídas à época dos bandeirantes para facilitar a extração de tal riqueza.
Inserido entre os vales do Paranapanema e do Ribeira de Iguape, o parque abriga uma extensa rede de drenagem, protegida pela Mata Atlântica, que recobre toda sua extensão. Abrange áreas dos municípios de Ribeirão Grande, Guapiara, Iporanga, Sete Barras e Eldorado. Na área do parque, havia a Fazenda Intervales, que vivia da extração de palmito, e, com a decretação da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar, a fazenda foi incorporada à área, que passou a ser recuperada e conservada pela Fundação Florestal, vindo a se transformar em parque.
Parque de Intervales oferece restaurante e pousadas dentro de sua área
Para a recreação, os visitantes do Parque Estadual de Intervales (PEI) podem fazer uma simples caminhada na beira de um lago; podem utilizar as trilhas ecológicas, como a do Mirante da Anta, que leva ao mirante Velho, a da Caçadinha, que termina na cachoeira do Mirante, a da Gruta do Minotauro, que dá acesso à gruta da Mão, a da Cachoeira das Pedrinhas, onde pode-se apreciar cachoeiras e as águas da piscina natural, entre outras; ou podem se aventurar por cachoeiras, como a do Arcão e da Água Comprida, e grutas, como a do Fogo, de fácil acesso, e a do Zé Maneco, de difícil acesso, onde podem ser vistos diversos animais, como o macaco-prego, o mono-carvoeiro e o bugio, além de pegadas de onças.
Todas as trilhas do PEI só podem ser utilizadas com o acompanhamento dos monitores, com exceção da trilha autoguiada, que é sinalizada para que o visitante possa percorrê-la sem a ajuda de guia. O parque oferece também alguns confortos, como restaurante, quiosques para piquenique, quadras poliesportivas, playground, churrasqueiras e pousadas dentro de sua área, como as pousadas Pica-Pau, Esquilo, Onça Pintada e Mono-Carvoeiro, e para pesquisadores há acomodações e serviços especiais.
No parque, foram registrados 751 espécies de invertebrados, 49 de peixes, 101 de anfíbios, 44 de répteis, 379 de aves e 121 de mamíferos, representando uma proporção significativa da fauna encontrada em toda a região do Vale do Ribeira e do Alto Paranapanema, incluindo 325 espécies de interesse especial para a conservação por estarem incluídas em alguma categoria de ameaça ou serem endêmicas à Mata Atlântica, como a jacutinga, a onça-pintada, o mono-carvoeiro e outras.
Outras espécies como anta, gambá, tamanduá-mirim, macaco-prego, veados, roedores e morcegos também compõem a biota do parque, que pode ser considerado como muito pouco alterado pela ação do homem. As espécies de répteis encontradas no parque se resumem a serpentes (coral, jararaca, espada, boipeva), lagartos, cobras-cegas, tartarugas e jacarés. Os anfíbios são representados por vasta diversidade de espécies de sapos, rãs e pererecas. Os peixes como lambaris, canivetes e cascudos podem ser encontrados em rios de pequeno porte.
A preservação de certas espécies que precisam de espaço, como os predadores de maior porte, só foi possível graças à extensa sequência de parques naturais que se interiorizam, distanciando-se da linha costeira e avançando pelas escarpas serranas. O Contínuo Ecológico de Paranapiacaba, cujo núcleo é o Parque Intervales, faz conexão com outras unidades de conservação como o Parque Carlos Botelho, a Estação Ecológica de Xitué e o Parque Turístico do Alto Ribeira (Petar). São mais de 140 mil hectares de área florestada, incluindo o conjunto de reservas e propriedades particulares, formando um corredor que permite a circulação livre dessas espécies, o que aumenta o espaço em que elas vivem.
A cobertura vegetal predominante no PEI é a floresta ombrófila densa, que necessita de muita água. Com árvores que atingem até 35 metros de altura. Sua flora é rica e diversificada, com destaque para o cedro e canela, o palmito-juçara, as bromélias, as orquídeas e os cipós. A floresta ombrófila densa é o mais exuberante dos ecossistemas da Mata Atlântica, com grande ocorrência de endemismo (espécies que só ocorrem nesta região) e os maiores índices de biodiversidade de todo o planeta. O parque enfrenta ainda a ação de palmiteiros que agem ilegalmente na região. Existe, por parte da Fundação Florestal e do Fundo Braasileiro para a Biodiversidade (Funbio), programas de desenvolvimento sustentável através de culturas baseadas nas comunidades locais.
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