Apagão nas travessias
A infra-estrutura insuficiente e obsoleta deixa terminais lotados. Filas enormes reafirmam as deficiências. A baixa remuneração dos funcionários é afrontosa. Passageiros enfrentam autêntica via crucis para embarcar.
Para piorar, nevoeiro e ventos fortes forçam paralisações nas operações. As sucessões de problemas tornam o clima tenso entre funcionários e usuários. Num empurra-empurra, um homem cai, sofre traumatismo craniano e morre dois dias depois.
As cenas não acontecem em algum aeroporto brasileiro. Elas fazem parte do cotidiano dos usuários das travessias litorâneas " são cerca de 70 mil, somente nas ligações entre Santos e Guarujá. O número é superior aos 50 mil passageiros que circulam, por dia, em Congonhas, principal aeroporto do País.
Há mais de uma década, denuncio e cobro a modernização. O Governo do Estado pouco faz e as conquistas obtidas, com muita luta, são mínimas diante da grandiosidade dos problemas. Evidentemente, temos vitórias a comemorar, como a manutenção da gratuidade para ciclistas e a unificação de tarifas, na travessia de balsas Santos " Guarujá.
Os R$ 5 milhões que o Estado afirma ter reservado para investimentos, este ano, destinam-se, na verdade, apenas à manutenção da arcaica infra-estrutura. Com essa verba, é impossível modernizar a frota e criar novas linhas, como a situação exige.
Na travessia de pedestres Santos " Vicente de Carvalho, as embarcações são antigas (o que encarece a manutenção), grandes e lentas (o que dificulta manobras e aumenta o tempo de percurso). Ao invés de gastar enxugando gelo, o Estado tem que investir em novas barcas, menores e mais velozes, para maior agilidade e eficiência.
Estudos da Dersa, empresa de economia mista que administra o sistema, apontam que embarcações com estas características atenderiam a demanda. No caso da travessia Santos " Guarujá, os levantamentos evidenciam a necessidade de mais três balsas, para 60 veículos, e novos berços de atracação.
A mesma Dersa analisou as carências e a viabilidade de novas travessias, tanto no Litoral Norte quanto no Litoral Sul. Alguns desses estudos foram anunciados como solução, pela Secretaria Estadual de Transportes, no longínquo ano de 2003.
Conforme constatam os milhares de usuários, quase nada foi feito diante da magnitude dos problemas. Até mesmo a licitação para definir a nova operadora do sistema de travessias se arrasta. Não desisto: reafirmo o compromisso de continuar firme na luta, brigando por investimentos e irrestrito respeito aos passageiros e funcionários.
*Maria Lúcia Prandi é deputada estadual pelo PT
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