Seminário reúne filhos de portadores de hanseníase separados compulsoriamente
A deputada Rita Passos (PV) promoveu nesta quarta-feira, 18/5, o seminário Encontro dos Filhos Separados e Seus Destinos, que discutiu os aspectos sociais, psicológicos e legais da história dos filhos que foram separados pelo isolamento compulsório em virtude da hanseníase no Brasil.
De 1920 a 1980 cerca de 40 mil crianças foram separadas dos pais em razão de um deles ou de ambos terem contraído a doença. A separação compulsória do doente era considerada medida necessária para a garantia da saúde de seus familiares e da comunidade. Com evolução da medicina, do tratamento e a descoberta dos mecanismos de transmissão, a separação do doente passou a ser desnecessária.
Como explica o doutor Robson Aguiar de Oliveira, médico imunologista e coordenador do Núcleo de Assistência Domiciliar do Hospital Dr. Francisco Ribeiro Arantes, de Itu, a doença tem transmissão pelas vias respiratórias, mas só após um longo tempo de contato com a pessoa infectada sem tratamento. "Hoje há ainda muito preconceito e muita desinformação, a doença tem tratamento e o paciente pode procurar um posto de saúde e fazer seu seguimento sem custo", alerta.
O médico afirma que uma das dificuldades para que o doente perceba que está infectado é que a doença se manifesta de forma assintomática, através de manchas na pele, com a perda da sensibilidade.
Além da divulgação da doença e do combate ao preconceito, o encontro busca iniciar um processo de apoio ao pedido de indenização dos filhos de portadores de hanseníase separados compulsoriamente. Segundo Teresa Oliveira, coordenadora da Comissão dos Filhos Separados pelo Isolamento Compulsório Morhan/SP, este movimento será estendido a outros legislativos do país e busca apoio do Ministério Público.
"A separação em si foi traumática, como todas em que os filhos são separados dos pais, agravada pelo fato que muitas crianças foram levadas para instituições ou adotadas por famílias sem estrutura material e psicológica. Muitos sofreram maus tratos ou foram deixados à própria sorte. É justo que quem sofreu com a ação do Estado seja ressarcido por ele", afirmou Teresa.
Para a deputada Rita Passos é necessário combater o preconceito, pois isto tem feito com que o tratamento, que é simples, seja adiado, com possibilidade de complicações musculares e neurológicas. "Outro ponto é reparar uma brutalidade que ocorreu no século passado com estas crianças. Queremos aproximar estas vítimas do legislativo e do Ministério Público e possibilitar o estudo de alguma medida reparadora", afirmou.
Durante o seminário foram apresentados detalhes da doença, depoimentos de filhos que foram vítimas da separação compulsória e palestras com representantes da OAB e do Ministério Público. (ot)
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