Maria Aparecida Bueno de Mello: expressionismo abstrato através de espaços oníricos e siderais
Maria Aparecida Bueno de Mello cultivou durante anos sua paixão pela arte, pintando, esculpindo e ensinando, experimentando técnicas e linguagens diversas com uma poética inspiração interior. Perseguindo uma idéia e sua realização como percepção visível, real, ela se concretiza no seu próprio conteúdo.
Na sua objetivação tecnológica, o interesse da artista sempre foi pela fórmula: formas " cor " luz, todas moveis e vibrantes. Ao evidenciar o problema luminoso na linguagem expressiva do relêvo pictórico e na visão de espaços oníricos e siderais ela encontra sua confluência.
A artista suscita no espaço infinito um "phatos" que se desenvolve através de linhas densas e riscadas, dotadas de movimento e de profundidade que assumem uma vibração crepuscular magnética e obsessiva.
O seu procedimento técnico vale-se de uma "action painting" como liberdade interior, de maneira a recuperar a impressão artística com o extrínseco das forças diretivas do fenômeno cromático.
Muitas vezes, é a necessidade do traço que desenvolve um papel apropriado à potência energética da artista.
No tríptico Três estações, doado ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, o seu discurso se enraíza no expressionismo abstrato e possui também um caráter lírico, porque sabe ligar diversos acentos estéticos oferecendo um caráter fisionômico do gesto que desenvolve um papel decisivo na linguagem contrastante.
A artista
Maria Aparecida Bueno de Mello, que utilizou durante certo tempo também o pseudônimo artístico de Piki, nasceu em Campinas em 1919.
Com uma densa formação artística, trabalhou com Thomas Perina na Escola de Pintura de Campinas (1948-1949); estudou escultura com Lélio Coluccini (1954- 1955) e posteriormente na Fundação Álvares Penteado, SP (1974); escultura, modelo vivo e arte moderna em Ouro Preto; história da arte, PUC de Campinas (1972); Introdução a arte contemporânea, Centro Ciências, Letras e Artes de Campinas (1970); arte e pscopatologia, folclore, PUC de Campinas (1965); parapsicologia e formação humana (1996).
Fundou o Grupo Da Vinci e o grupo de Vanguarda de Campinas, um dos mais importantes movimento de artes plásticas do país, reflexos ainda que tardios da Semana de 22.
Colaborou na formação dos acervos do Museu de Arte Contemporânea de Campinas e da Unicanp, assim como com a formação de Casas da Cultura no interior.
Sua primeira exposição individual de pintura e escultura foi no antigo Teatro Municipal Carlos Gomes, Campinas (1957), desde então participou de cerca de 50 exposições destacando-se entre outras: Salão Paulista de Arte Moderna em São Paulo, Bienal Nacional de São Paulo, Salão de Belas Artes de Campinas, de Santos, de Taubaté, de Santa Bárbara D"Oeste.
Participou em diversos roteiros de arte no Peru, Bolívia, por 10 países da Europa, México e Estados Unidos e Chile e Argentina.
Recebeu 12 prêmios, medalhas de prata, de bronze e menções honrosas e suas obras encontram-se em espaços públicos em Goiás, Campinas, Piracicaba, Valinhos e no Museu de Arte do parlamento de São Paulo.
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