Museu de Arte do Parlamento de São Paulo - Arturo Carmassi transfere para sua obra seus mitos, suas obsessões e seu "teatro"
A primeira idéia que se pode formular, observando a obra de Arturo Carmassi, é a de liberdade. Tudo se desenvolve e se move num espaço ilimitado, sem barreiras ou condicionamento a movimentos ou influências externas.
A única condição é o da inteligência que se encontra no centro daquele espaço e, portanto, por de trás da imagem. Essa liberdade não é somente da forma, mas também da fantasia e do que é desconhecido, pois por meio de forma e fantasia chega-se à obra. Com efeito, na obra coincidem forma e mistério.
Carmassi, um dos grandes artistas italianos da atualidade, tem uma das mais intensas atividades pictóricas intermediada de uma não menos contínua criação no campo da escultura e da gráfica. Em realidade, o artista transferiu para outras técnicas os seus mitos, suas obsessões e o seu "teatro".
Assim, gravuras sobre metal, litogravuras e serigrafias ganharam evidência plástica em vez de cromática, volumes em lugar de valores, interligação de linhas e superfícies em vez de luzes cromáticas e de profundidades prospécticas.
"A obra de Carmassi alcançou uma tensão de forma de grande êxito poético" - afirma o crítico Roberto Tassi. Seu percurso dentro da profundidade prossegue além da forma, e através da forma, se prolonga até o extremo ato surrealista, de um surrealismo beirando a heresia, que se concentra no "Journal Perpétuel ou a possibilidade dos signos", onde se desenvolve uma troca ininterrupta, em todas as direções, entre técnica, imaginação, símbolo e fantasma.
Fragmento de obra de arte, cada página do "journal", na simplicidade ou na complexidade da sua execução, forma uma sinfonia sóbria mas eloqüente. Essas orquestrações encantam o olhar, seduzem pelo seu mistério, e retêm a atenção porque são uma espécie de gritos não articulados, que levam a sensibilidade visual ao máximo da sua emoção e a imaginação plástica à fonte de sua origem.
Nas litogravuras da série Miscelânea Carmassi e Figuras, doadas ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, o artista descobre, através da ininterrupta seqüência de uma escritura ideográfica a continuidade e, portanto, a igualdade de sinais gráficos desde a pré-história à fórmula gráfica da bomba atômica.
O Artista
Arturo Carmassi nasceu em Lucca, pintor, escultor e gravador, iniciou seus trabalhos no ano de 1925. Freqüentou a Academia Albertina de Turim e realizou naquela cidade as suas primeiras exposições pessoais. Em 1952, transferiu-se para Milão, onde desenvolveu as funções de chefe de fila da pintura informal. Atualmente reside em Torre de Fucecchio, na Toscana (Itália), onde exerce suas múltiplas funções artísticas.
É detentor de numerosos prêmios internacionais e suas obras fazem parte de prestigiosas coleções públicas e particulares. Desde 1955, participou das mais importantes exposições na Itália e no exterior, destacando-se: III Bienal Internacional de São Paulo; II Bienal Internacional de Jovens em Paris, França (1955); IV Bienal "A Escultura na Cidade", Antuérpia (1958); Bienal da Gráfica, Veneza, Itália (1960); XXXI Bienal de Arte de Veneza (1962); IV Bienal Internacional de Escultura, Carrara, Itália; V Bienal de Arte de San Marino (1965); XXVII Bienal de Arte de Milão, Itália (1968); IX Bienal de Arte dos países do Mediterrâneo, Egito (1971); II Trienal da Gravura, Milão; X Quadrienal de Arte Italiana, Roma (1972); Xylon 7, Friburgo, Berlim, Lugano, São Paulo - Winterthur (1975); X Bienal Internacional de Arte de Tóquio (1976); "Journal Perpetuel da Arturo Carmassi", Roma, Lausanne e Museu de Arte de São Paulo (1978).
Seu filme "Carmassi Miscellanea", apresentado na Bienal de Veneza (Itália) e no Museu de Arte de São Paulo, foi realizado por Patrick Goetelen, cenário de Dominique Baechler e projeto de Emanuel von Lauenstein Massarani.
Possui obras em diversas em diversos países, Alemanha, Brasil, Itália, Japão, Egito, França e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.
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