Museu de Arte - A tensão existencial de Murilo Kammer cria intimas provocações poéticas
Ao examinar as obras de Murilo Kammer temos a impressão que as imagens nascem por si mesmas encontrando no artista um seu equilíbrio espontâneo e natural, bem próximo do símbolo. Com efeito, para o jovem pintor, o símbolo compreende o conteúdo das coisas, a mensagem que lhe é própria e sua situação.
Tanto o desenho, a aquarela, quanto seus objetos esculturais bidimensionais não são fáceis de serem absorvidos de imediato, embora sejam puros exemplos do abstracionismo.
Traços, manchas e formas de cor são refinados como notas musicais ou caligrafias orientais. São traços que fazem pensar num primeiro momento a algo de primitivo, à expressão polivalente de um arquétipo ou ao nascimento de um símbolo. São emergências, manifestações do inconsciente, nascidas de um empírico sortilégio num momento em que advém o encontro do artista com os instrumentos de seu trabalho: materiais e técnica.
O todo se desenvolve por intermédio de uma dialética que vê presente o aspecto emotivo, o desenvolver da imaginação, da invenção e do componente racional. São experiências de tipo diversificado: em primeiro lugar a recuperação de certos motivos espirais e finalmente a execução de "collages", desenhos e objetos esculturais bidimensionais, com ritmos calibrados e sutis, carregados de sugestão.
Daí podemos individuar analogias entre a pintura abstrata e a musica cujo sons constituem entidades que se autodesenvolvem livres, seja parcialmente que temporalmente e homogêneas sob o perfil formal.
Na obra de Murilo Kammer o traço significa si próprio, se coloca como realidade e, exatamente em tal absolutismo, abre-se a uma soma infinita de provocações poéticas juntamente a uma intima tensão existencial. essa é uma relação que existe entre o pintor e sua obra.
Os três desenhos e um painel com quatro peças, realizadas com acrílica e pigmentos sobre MDF, doados ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, demonstram como a mão do artista provoca uma linha ou uma mancha e como ele intervém para modificar certas situações, para guiá-las: seguindo um equilíbrio que a principio é do artista e se torna depois definitivamente das obras.
O Artista
Murilo Kammer nasceu em São Paulo, em 1978. Formou-se em Licenciatura em Artes Visuais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, onde atualmente ministra aulas de desenho e linguagem visual. Pós Graduado no curso de especialização, fundamentos da cultura e das Artes - Unesp, SP.
Participou de diversas exposições, individuais e coletivas, destacando-se entre elas: "Iracema, A Virgem dos Lábios de Mel", Universidade Belas Artes, SP (1998); "Arthur Bispo do Rosário" e "O Beijo: Releitura da Obra de Francesco Hayez", Universidade Belas Artes, SP (1999); "Estruturas de Gestação", Espaço Cultural Central das Artes, SP; 37ª e 40ª Semana Benedicto Calixto (2000 e 2003); Prefeitura Municipal de Itanhaém, SP; "A Sagrada Família do Novo Milênio", Universidade Belas Artes, SP (2000); 1º Salão de Arte Contemporânea de Barueri, SP; 33º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, SP; 29º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, SP; "7 Artistas, 7 Palavras", Galeria da Universidade Belas Artes, SP; "Transcurso do Desenvolvimento do Artista", Universidade Belas Artes, SP (2001); 15° Salão de Artes Plásticas Francisco Cimino, Amparo, SP; "3 Tempos", Galeria Unesp, SP (2002); Salão de Artes Plásticas de Vinhedo, SP; 12° Salão de Artes Plásticas de Atibaia, SP; Prefeitura Municipal de Itanhaém, SP (2003).
Recebeu varias premiações entre elas: Medalha de Bronze na 40a Semana Benedicto Calixto; Medalha de Ouro no Salão de Artes Plásticas de Vinhedo, SP e Prêmios Aquisições no 15° Salão Francisco Cimino; "Estrutura 1 Gestação", Salão de Artes Plásticas de Itanhaém, SP; 37a Semana Benedicto Calixto; "E.T. 05", Salão de Artes Visuais da Universidade Belas Artes, SP.
Participou de diversas exposições individuais e coletivas e possui obras em diversas coleções particulares e no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo.
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