Confira o bate-papo com o deputado Caio França
Nestas próximas semanas, vamos conhecer um pouco mais sobre as expectativas dos principais personagens do legislativo estadual paulista para os próximos quatro anos: os deputados.
Depois de sete meses de mandato, o que será que eles esperam? Em quem eles se inspiram? Quais as prioridades de cada gabinete?
A entrevista desta edição é com o deputado Caio França.
Os últimos meses
Primeiro eu destaco a renovação bastante significativa na Assembleia, com ampla maioria de deputados que ainda não tinha exercido mandato. A maioria deles, inclusive, nem na vereança. Com a renovação veio uma maior polarização, bastante semelhante a que temos visto no Brasil. Hoje nós vemos bancadas mais à direita, extrema direita, esquerda e extrema esquerda, e o tempo inteiro elas estão se digladiando, muitas vezes, sobre temas que nem competem à Assembleia. Mas eu convivo muito bem com os dois campos, só me preocupo porque, obviamente, percebo que essas discussões muitas vezes são intermináveis e acabam deixando de lado os temas que são competência da Casa. É, claro o Parlamento também é feito para argumentar e falar sobre temas nacionais, porém quando estamos debatendo projetos relevantes para o povo de São Paulo, acaba-se chegando no PT ou em Bolsonaro e aí deixamos de apresentar resultados e soluções para melhorar a vida das pessoas.
Projetos, legado e futuro
Meu trabalho é bastante regional e acabo priorizando as questões da Baixada Santista, do Vale do Ribeira e do Litoral Norte. Eu acho que temos que ajudar a solucionar problemas graves, como o desemprego, que atinge todos os municípios, dos menores aos maiores. Tenho um trabalho muito sério em relação à saúde, o tema que mais me preocupa. Além de membro efetivo da Comissão de Saúde, tenho me dedicado nos últimos meses ao sistema de regulação de vagas que é pouco transparente, o CROSS, que acaba privilegiando algumas regiões por condições de leitos e acaba deixando as cidades mais afastadas com menos condições. Tenho estudado o tema e apresentado sugestões de mudanças para que todos recursos de hospitais filantrópicos municipais fiquem à disposição das DRSs (Diretorias Regionais de Saúde) e não somente dos municípios. Também tenho me dedicado muito à questão da mobilidade urbana. Por ser presidente da Comissão de Meio Ambiente da Casa, tenho recebido diversos relatos de experiências de outros países que conseguiram aprimorar os modais e utilizar mais linhas de Metrô.
Outro trabalho importante que tenho feito diz respeito à Baixada Santista, que é a continuação do do VLT, um projeto exitoso do governo do Estado, mas que precisa ser prolongado.
Há, ainda, projetos específicos que eu já apresentei na Casa e que tenho trabalhado para as suas aprovações. Vou citar alguns exemplos: parcelamento em mais vezes do IPVA; uma proposta que restringe a nomeação de cargos comissionados a pessoas que foram condenadas pela Lei Maria da Penha. E um outro projeto para que todos os torneios e campeonatos custeados pelo governo do Estado, no que diz respeito ao esporte, tenham que dar a mesma premiação para homens e mulheres, seja lá para qual modalidade for. E há alguns vetos que eu pretendo derrubar, um deles ligado à uma competição entre os municípios de práticas sustentáveis (nele eu incluí a questão da proteção animal como um dos requisitos importantes a ser pontuado).
Vou citar, ainda, a Frente Parlamentar em Defesa da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, relacionada às pautas regionais, como regulamentação fundiária, desenvolvimento regional e turismo, além da Frente Parlamentar em Defesa da Adoção, que trabalha em conjunto com grupos que defendem a adoção no Estado.
Inspiração e referências
Uma referência geral é o Nelson Mandela, pela questão do perdão, por tudo que ele passou e como conseguiu voltar.
Na política, vou citar alguém com quem tive bastante contato, o ex-governador de Pernambuco e presidente nacional do nosso partido, Eduardo Campos. Eu penso que ele conseguiu traduzir na prática aquilo que nós pensamos. Pernambuco é o hoje o Estado com mais crianças matriculadas no período integral e com os melhores índices de tratamento de algumas doenças. Estamos falando de regiões pobres do Nordeste, que enfrentam problemas graves e têm pouco desenvolvimento regional.
Fora da política eu gosto muito do Papa Francisco. Eu acho que ele conseguiu trazer para a Igreja Católica uma visão mais humana das decisões, que antigamente eram muito distantes da realidade da comunidade católica. Acho o Papa uma figura muito querida. Ele é bastante progressista e me inspira também na vida.
E o meu pai (o ex-goverador) Márcio França. Mas é pai, né? Uma questão muito pessoal.
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