'Acessibilidade ainda é um luxo dos bairros nobres': audiência escuta demandas de PCDs da periferia
22/09/2023 17:17 | Acessibilidade | João Pedro Barreto, sob supervisão de Cléber Gonçalves - Fotos: Larissa Navarro
Para levar o debate sobre acessibilidade para as periferias paulistas, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sediou uma audiência para ouvir demandas de pessoas com deficiência moradoras desses locais. O evento ocorreu na noite desta quinta-feira (21), Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, e reuniu ativistas e parlamentares.
"O Laboratório da Luta da Pessoa com Deficiência nas Periferias é para trazer uma outra realidade ao debate. A gente sabe que nós temos frentes parlamentares, uma comissão que debate exclusivamente o assunto, mas a gente entendeu que faltava fazer um recorte de classe e gênero, já que o maior número de pessoas com deficiência está dentro das periferias", explicou Karina Correia, codeputada do Movimento Pretas (Psol).
O 'Laboratório Legislativo', como é chamado pelas deputadas do mandato coletivo do Movimento Pretas, é um evento que pretende ouvir diretamente da boca da população os problemas que a atingem. A intenção é que esses relatos possam ajudá-las na criação de políticas públicas, projetos de lei e até em votos em proposituras que já tramitam na Casa.
"Essa foi uma tecnologia que a gente criou, por entender que existem muitas realidades, dificuldades e diversidades, e que muitos bons ativistas já estão transformando realidades a partir do asfalto e de seu território. Esse é um espaço de conversa para que possamos ouvir e emprestar sua caneta para aqueles que elaboram soluções cotidianamente", explicou a deputada Monica Seixas do Movimento Pretas (Psol).
Uma discussão distante
Marcelo Zig, fundador do coletivo Quilombo PCD e que compôs a Mesa do evento, explicou que a discussão sobre acessibilidade nas periferias ainda é muito incipiente. "Hoje, a acessibilidade ainda é um artigo de luxo dos bairros nobres das grandes capitais do nosso país. Nas periferias, a palavra sequer é citada. A gente entende que isso é um impacto do racismo, que, aliado ao capacitismo, invisibiliza e nega a participação dessas pessoas dentro da sociedade."
Zig comenta que, como pessoa negra e PCD, possui uma dupla dificuldade de acessar espaços de poder e de se inserir na sociedade. Ele relata que precisa, inclusive, andar com sua cadeira de rodas no meio da rua, disputando espaço com carros, para poder se locomover na cidade.
"A gente sempre pensa nas barreiras arquitetônicas, mas todas as outras barreiras também devem ser contempladas na discussão de acessibilidade. Barreiras comunicacionais, linguísticas, atitudinais, que impedem que ela possa ser percebida e exercer sua condição de cidadão em gozo de seus direitos", completa.
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