Denúncias de contaminação de solo e água na zona oeste da Capital pautam audiência na Alesp
29/04/2026 18:50 | Meio ambiente | Fernanda Franco - Fotos: Rodrigo Romeo
A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo realizou, nesta terça-feira (28), uma audiência pública para discutir a contaminação ambiental no Jardim Arpoador, na região Butantã, zona oeste da capital. Moradores afirmam que convivem há 50 anos com solo contaminado e lençol freático comprometido, sem uma solução definitiva para o problema.
Segundo os participantes da audiência, os resíduos tóxicos foram deixados pela multinacional holandesa Akzo Nobel desde a instalação da fábrica de tintas e revestimentos no local, em 1974. "O que nos reúne aqui é um caso muito grave e demonstra como a falta de solução rápida pode prolongar o sofrimento de comunidades por gerações", evidenciou o deputado Maurici (PT).
Para o parlamentar, existe um padrão que se repete em crimes ambientais como este: demora, falta de transparência e dificuldade de responsabilização. "Por isso essa audiência é tão importante, porque organiza o debate, dá visibilidade ao problema e fortalece a cobrança por respostas concretas, garantindo que a saúde da população esteja em primeiro lugar", afirmou.
O debate reuniu representantes da Akzo Nobel, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da comunidade afetada. O encontro teve a presença das deputadas Mônica Seixas do Movimento Pretas e Paula da Bancada Feminista, ambas do Psol, e Marina Helou (PSB), que participou por vídeo.
Contaminação
Relatórios da Cetesb identificaram contaminação histórica do solo e lençol freático por solventes aromáticos e metais pesados no Jardim Arpoador decorrente das atividades industriais da Akzo Nobel na década de 1970. Componentes tóxicos para a saúde humana - como mercúrio, alumínio, agrotóxicos, chumbo e cádmio - afetaram pelo menos 40 casas no entorno da fábrica.
O gerente do departamento de áreas contaminadas da Cetesb, André Oliveira, informou que o órgão atua no monitoramento da região desde que foram comunicados da contaminação. "Desde 2002, já emitimos mais de 20 manifestações técnicas específicas, que somam 115 exigências técnicas ao longo do processo", explicou.
Oliveira ressaltou que a contaminação foi identificada em 1994 pela Akzo Nobel, mas que a empresa comunicou o órgão apenas em 2001. "As pessoas podem se contaminar de duas formas: pela água ou por vapores. O principal problema são as casas que estão ou estiveram sobre a pluma de contaminação", disse. Segundo o gerente, a remoção de moradores é considerada a medida mais eficaz para controle de risco.
Relatos
A moradora Marlei da Silva Galvão, que vive há 55 anos no bairro, descreveu situações enfrentadas no dia a dia desde a juventude. "Quando a gente saía e voltava para casa, o cheiro de tinta era muito forte, a ponto de lacrimejar os olhos. A gente não conseguia tomar água, eu fervia para poder beber", contou.
Marlei relatou que atualmente está com câncer ósseo e que seu filho teve três AVCs. "Será que isso é coincidência? Por que vários familiares meus que cresceram lá tiveram câncer e alguns morreram já?", indagou. A moradora afirmou a necessidade de uma posição da empresa e das autoridades. "Se não tem mais contaminação, por que as pessoas continuam morrendo? Nós estamos aqui por justiça."
O aposentado Everaldo Martins também relatou perdas familiares e dificuldades de saúde no cotidiano. "Eu e minha família somos vítimas. Já sepultei duas pessoas com câncer, minha mãe foi uma das primeiras. Antes de a gente saber desses problemas, a gente bebia água do poço", disse. Ele descreveu que, mesmo atualmente, ainda há sinais de contaminação. "Quando chove, no outro dia aflora produto químico em vários pontos. À noite, a gente tosse muito por causa do cheiro forte", afirmou. Segundo ele, falta diálogo com a comunidade. "Não houve participação nem conversa com a gente até hoje. Esperamos e pedimos justiça."
O que diz a empresa
O diretor da Akzo Nobel, Francisco Farias, afirmou que a empresa reconhece as demandas da comunidade e está aberta ao diálogo. "Entendemos a solicitação da comunidade e estamos à disposição para prestar todos os esclarecimentos. Tudo que estamos fazendo sempre foi conduzido com base em um processo ambiental muito sério e estruturado", disse.
A gerente de Saúde e Meio Ambiente da empresa, Miriam Rodrigues, explicou que a contaminação foi identificada pela empresa somente em 1994 e que, desde então, medidas de correção e remediação foram adotadas. "Aplicamos diversas técnicas, as mais adequadas e tecnológicas. Em 2020, atingimos os níveis máximos admissíveis, e hoje realizamos o monitoramento do local", declarou. A representante também afirmou que não há contaminação na região atualmente. "Não há impacto nem no local nem no córrego Itararé. Queremos trazer tranquilidade para todos".
Assista à Audiência Pública na íntegra, em transmissão da TV Alesp:
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